Sobre o blog (e mim)...

Um garoto. Uma vida. Uma certeza. Muitas duvidas. Um blog. É isso que de repente se conflue numa desarmonia harmoniosa e vira isso que vês... as palavras são ditas até que cheguemos a uma barreira, a barreira alem do qual não existem mais palavras, apenas nós, Deus e o que é sentido...

Alguns dados sobre mim...

Sábado, 13 de Junho de 2009

Paixão

Eu sou um destroço
Afundado no profundo,
Lá no oceano mais puro,
Estão minhas ferragens.

Cardumes de mandíbulas,
E águas tão escuras,
Lá é onde tocas,
Na desconhecida loucura.

E então as águas se movem,
Em um turbilhão,
Átomos então explodem,
Um vulcão em erupção,
Circuitos que se colidem,
Combustíveis em ignição.
Ondas de calor,
Que transformam,
Tudo em pó.
Estou em curto-circuito,
Mil sirenes soam,
Um alerta de perigo.

Estado de paixão: Eu estou preso por dento.
Estado de paixão: Vísceras que estouram.
Estado de paixão: Palavras que me deixam.
Estado de paixão: Isso me consome.
Estado de paixão: Onde eu me sinto vivo.

Quarta-feira, 10 de Junho de 2009

Sonhos Noturnos

Ontem, enquanto a noite era de silencio e apenas o vento se ouvia, ontem enquanto tudo era gélido lá fora, e eu estava encolhido abaixo de uma coberta, enquanto a Lua iluminava tudo, de tão longe, e tão fria, enquanto as nuvens se faziam e desmoronavam sobre mim existindo e não existindo... Eu sonhei. Sonhei com um mundo que era tudo menos complexo, lá não havia palavras engolidas a machucar por dentro, lá não havia mal-entendidos, e nem confusões, não havia nada que não precisasse haver. E nesta calma, nesta paz tão simples, eu estava ao seu lado, não havia mais pessoas pois tudo passava a acontecer entre nós, e não havia palavras desnecessárias, como vemos a nossa volta, tudo era apenas sentido e se fosse importante o outro saberia, por essa mágica que existe de só acontecer o que é preciso que se aconteça. Nós fazíamos Yoga, e tocava música clássica, cada nota era um suspiro agudo de uma alma que quer viver, e nós sentíamos a dor de um corpo que vive, cada agudo da soprano no silêncio daquela noite apenas sonhada era perigoso demais, tanta beleza poderia ser-nos mortífera, mas não tínhamos medo, e então eu me encostava a ti, e sentia o teu calor, eu então te sentia estendendo-se pelo meu corpo, vales e montanhas a perder-se de vista, eu então me perdia nestas paisagens tão misteriosas, tão encantadoras. Havia o seu sorriso, havia o seu peito e eu vi-te pela luz azulada da Lua, desta vez não mais longe, mas perto, perto como a distancia de um abraço, seu peito apenas mostrado, sem mais, ao alcance de meus dedos, e então havia o encontro de dois lábios, e havia alegria nisso, por um instante não havia tristeza, por um instante viver não era algo pesado e difícil, e havia esperança, por um instante... Eu abri meus olhos, e me vi só, no escuro, a Lua lá fora, e então vi que meus pés e minhas mãos estavam gelados, olhei então para meus dedos, apenas para descobri-los vazios. Nada, nada alem do vento lá fora, e de um coração achatado a bater no peito, e a música clássica tocava, mas era como encher um saco sem fundo, tudo, tudo era vento, e a mim só restava rezar...

Quarta-feira, 20 de Maio de 2009

Poema Pa' um Garoto Triste.

Meu bem, não se preocupe,
Porque és ainda bem jovem,
E ainda não pensas nestas coisas,
Mas um dia, amor, as pessoas crescem.

Quais venturas contarão suas rugas?
Serão de um coração que bate?
Serão de amor, ou de pura maldade?
Quais funerais, amores e fugas?

Hoje é tudo tão pouco...
Mas um dia o pouco tudo será,
Um passado, um futuro, um estouro,
E uma pomba que voa pra qualquer lugar...

Melodias tristes tocam o seu coração,
Palavras de dor, ódio e traição,
Flores vermelhas adornam um muro de prisão,
Tijolos que nem sempre te protegerão.

O muro que abriga,
É o mesmo que isola,
Hoje ris, porem ouvirá esta voz amiga,
Quando ver na solidão a única que te assola...

Jovem, jovem, ainda é bem jovem,
Não pense nestas coisas,
És belo, rico e inteligente,
E não precisas de pessoas,
Mentiras? Não é pra sempre que vivem!

Quinta-feira, 7 de Maio de 2009

Um Sonho...



Hoje eu tive um sonho. Sonhei com uma tarde e com um campo, a tarde tinha um Sol forte e brilhante, era uma dessas tardes amarelas onde a única vontade que temos é de ficar em um banco, numa praça, numa rua, num lugar qualquer apenas a observar o como o mundo é maravilhoso em si mesmo... Não havia nuvens no céu. Não havia o risco de, de repente, o Sol cair e tornar-se noite. Era sonho. O campo era de um verde como apenas a matéria perfeita dos sonhos permite existir, era uma grama, mas não era dessa gramas perfeitas, era grama de verdade, com insetos, com substancias desconhecidas escondidas entre as folhas, como ervas daninhas, e até formigas. Uma brisa leve soprava, havia bandeiras, amarelas, laranjas, douradas, todas tremulando vagarosamente com a brisa a soprar, bandeiras como há séculos não vemos. Neste sonho havia pessoas, e nenhuma delas tinha nome, porque elas estavam gastando o seu tempo sendo felizes, então não sobrava tempo para estas pequenas desnecessidades, quando alguém queria chamar o outro, se este não viesse apenas com a alegria do pensamento, bastava então chegar perto dele e levemente tocar seu braço, ou qualquer outra parte do seu corpo, e assim tudo acontecia. As pessoas não se preocupavam com a morte, porque também não havia vida, havia apenas a alegria de se existir e a tarde amarela a nos abençoar. Não havia dor, por mais que as pessoas machucassem-se com espinhos escondidos por entre a grama, com formigas preocupadas com sua casa, ou às vezes torcessem alguma articulação com toda a diversão que ocorria, com os saltos, com as brincadeiras, correndo... Não havia dor, todos se por ventura caíssem, levantavam-se e voltavam ao grupo, apenas a verdade existia.
Via homens, alguns sem camisa, alguns descalços, com a barba por fazer, alguns apontavam para o céu, alguns deitavam sobre o colo de algum amigo e lá adormeciam, alguns jogavam, alguns se abraçavam, e todos eram felizes. Lá, no sonho, a palavra “certo” não fazia sentido, nem a palavra “errado”, “pecado” então não se poderia nem imaginar o que era, e com isso todas as outras pequenas misérias que advinham destas também não existiam, no meu sonho só existiam palavras como amor, respeito, carinho, felicidade, alegria, afeto, Deus, amigo,paz... Havia mulheres também, algumas nuas, algumas vestidas, algumas fazendo longas tranças com seus cabelos, algumas correndo em grupos sorridentes, algumas distribuíam comidas e bebidas, algumas brincavam com borboletas, e tudo era completamente bonito. A palavra sexo é que lá não dizia nada realmente, tudo era puro, era o que apenas era, não havia valores complexos e parciais, não havia crítica, não havia culpa, não havia medo. Às vezes um rapaz conversa com uma moça, às vezes um gato mia, uma borboleta pousa rapidamente sobre a relva, uma formiga gulosa carrega um farelo de pão muito maior que ela, o grupo inteiro desfaz-se em risos. Alguns homens acordam, abrem os olhos apenas para encontrar paz e alegria, e certificam-se estar em um colo amigo e adormecem novamente, duas mulheres dormem, nuas e abraçadas, há sorriso em seus lábios, e paz. E quando parece que o Sol irá descansar, e que a tarde já começa seu término, então descobre-se com alegria e espanto, que ainda é tão cedo, e que a festa não termina...

E então eu fico feliz com tudo o que eu sonhei...

Mas é que meus sonhos não fazem sentido. Então alguns me dizem com tamanha praticidade, que não perdem tempo com essas coisas, pois mais faz duas mãos trabalhando do que cem cabeças a sonhar. Outros dizem com muitas feridas no coração, que sonhar é perigoso e que no fim nada disso acontece. Alguns ainda dizem que o sonho é refugio do fraco... Mas acontece que agora que eu conheço o sonho, sei que nada disso me parece verdadeiro, e é então com grande júbilo que descubro homens que pensam como eu, um diz que o sonho é capaz de transformar tudo, outros falam que são os sonhos que movem o mundo, alguns que sonhar é um bálsamo, outros que é um breve refúgio no meio da vida, mas alguns ainda, para minha alegria, concordam que se todos sonhassem como eu sonhei as coisas seriam tão simples, fáceis e belas... Concordam ainda, que se todos sonhassem, as coisas já seriam melhores. Alguns ainda, como eu, sonham novamente, sonham com o dia em que este sonho será realidade...







Quinta-feira, 30 de Abril de 2009

De como não chorar muito

Ela parou, fechou os olhos e respirou profundamente, então deu-se conta de que as vezes o motivo não vem: então simplesmente deixa-se para trás para poder continuar vivendo e talvez achar algo um pouco melhor mais a frente, deu-se conta de como até agora tudo fora tão sem sentido, tão sem causas, sem porquês, tudo simplesmente foi, e ela foi levada neste movimento sem saber, mas agora ela deveria abrir mão de saber, pois era incognoscível, e ser levada apenas porque as coisas devem ser assim, sim este é o motivo da vida: As coisas devem ser assim. Não há razões, apenas abra mão de suas mágoas e feridas, apenas olhe para frente, apenas chore quando precisar, e então será tudo bem. A vida se explica, basta não pensar, é coisa estranha mesmo... Lembrou-se de Dona Maria. Ela lhe contara uma história: certa vez invadiram seu barraco e levaram tudo o pouco que tinha, e então ela pediu a Deus para não chorar, o resto ela se arranjava mas ela não queria chorar, e assim foi feito, nunca mais ela chorou, e sempre se arrumou na vida. Dona Maria já era bem velhinha, morava em um asilo e era boa de papo. Então ela lembrou-se de que Dona Maria conseguira. Era uma mulher de uma felicidade ingênua, e olhos bem secos, sem o risco de se machuca demais.

Terça-feira, 28 de Abril de 2009

Insuperação

Um belo rapaz, põe as mãos no volante, seu carro, corre, uma imagem passa por detrás, tão ràpidamente que sequer posso vê-la, ele está feliz, sorri, seus dentes de marfim, ele diz algo que não posso ouvir, pois estou a devorar o instante, ele diz algo que não posso ouvir pois estou totalmente ludibriado, mas ele não sabe da magia que se passa e continua a falar, sou monossilábico, porque na verdade estou muito ocupado, eu vejo.
Há luz na paisagem, um Sol de três da tarde, e há pasto, e grama, e vida que brota por todo lugar, mesmo onde talvez possa parecer indesejada, mas é fato que a vida brota, eu estou olhando, mas tomo ainda o cuidado de não ser percebido, pois o carinho ainda me assusta um pouco. Olho seus cabelos, claros, castanhos, castanhos claros, e seus olhos amendoados, amadeirados, olham para mim, acredito, para mim, que me vêem, e que sentimento é esse?
Sua pele alva, sua barba, sua juventude tão pulsante, sua ingenuidade, e sua alegria... Então chego nas mãos, talvez as mais belas coisas que eu já tenha visto, brancas, suas unhas roídas, não são bem cuidadas, talvez este seja o seu segredo, ser belo descuidadamente.
Então eis que sei que sou feliz, e que este momento é eterno dentro de mim, durará mais que este Sol, mais que o céu, e as paisagens a correrem com ligeireza, sou d’uma alegria , e que Deus me perdoe se faço a coisa errada, mas é que eu gosto tanto deste carinho com que eu olho que vou fazê-lo ficar pra sempre, assim, pra sempre dentro de mim, enquanto eu durar vou estar olhando para estas mãos e pensando: “Estamos juntos!”, a fome de presença, consegue disfarçar a ausência e fingir felicidade? A fome me devora a dignidade e me oferta a ilusão, que devoro como quem devora uma coisa, a fome ainda é mais forte que o sentido de realidade, e devorar ilusões pode nos fazer um pouco mais de tempo, mas quem não come da ilusão, quando esta lhe é a única oferta, a este talvez tudo se tornará insuportável.
Mas é que a vida! Que ao menos em sonho seja feliz, o que para alguns é tão pouco, para outros é o único refugio onde ainda pode bater um coração, uma caverna que tem a maior de todas as proteções: não precisa de ser verdade.
E alguns anos depois, ao chegar à longínqua terra, um pouco de dinheiro no bolso para viver mais uns dias, uma matrícula em um curso que não me fará feliz, um endereço, e dentro do livro a foto de um amor que eu nunca consegui superar.

Sábado, 21 de Fevereiro de 2009

Salvatore - Deliverance

Imagem do texto Deliverance:
La memoire - René Magritte

Comentário originalmente postado no texto Deliverance:
Bem... Tenho a suave impressão à brotar em minh'alma de que tudo que existe existe em ciclos, é algo dificil de se xplicar, mas bem simples de se sentir, olhe para dentro de voce, se possivel entre em contato com coisas que não usa há mais de um ano, e então talvez terá a percepção de que as mudanças que acontecem contigo são ciclos, que não és uma pilha que vai crescendo com sacos sendo colocados um sobre os outros, mas que é um monte, e que vai aumentando cada vez um pouco mais de cada lado, sinceramente não sei dizer o que quero dizer, mas tenho muita fé de que quem procurar com sinceridade sentir as minhas palavras sentirá. Bem estou retornando a uma fase de descobertas interiores, similar a uma que me ocorreu há um ano, na qual eu tive um periodo de ouvir Josh Groban, bem isso retornou, e de repente a rara probabilidade de um cd dele vir parar em minhas mãos aconteceu, ou então até mesmo a de entrar em contato com fãs tambem... Reli o texto que escrevi em 25 de janeiro de 2008 chamado Salvatore, tive uma breve percepção dos ciclos... E indico a leitura deste texto tambem... Abraços calorosos para todos, muita luz em vossas vidas...

Sábado, 14 de Fevereiro de 2009

Deliverance

Achando que eras solo forte
Deitei-me em ti,
No fundo bem sabia que eras ondas,
Mas só vi quando cai.
Esparramado sobre o chão,
Mastigando sangue e sonhos,
Só pude olhar para o céu,
Depois de ser franco.
E me levantei em lágrimas,
Mas a salvação é sem limites,
Então me refiz de luz,
Não mais de pedras tristes,
A queda é um passo dado,
Lançado antes da glória,
A tristeza é a pá que cava,
E ara a terra para vitória.
As ondas do Deus são luz,
E água e nuvem e sonho,
Tão incompreensível a nós,
Mas nem um pouco desconhecido,
E só...

Domingo, 1 de Fevereiro de 2009

Do amor


Mas e se do amor não souber aproveitar? E se de tanto amor que recebi dentro de mim, eu me perder? Tão como se perdem os homens no mar, mesmo precisando d’água? Mas se é bem verdade que é o amor a engrenagem que tudo movimenta, que eu possa então sacrificar todos estes meus pequenos amores, e ajuntá-los em um grande amor, que seria capaz este de girar o mundo, e então todas as noites e todos os dias passariam a existir única e exclusivamente por meu amor, e todos os homens, e todas as suas vidas existiriam apenas porque eu amo, e... Ah meu Deus! Alguém há de amar a tudo desta forma tão grandiosa, que faça a maldade perder o sentido. Mas o mundo gira. E então eu apenas vivo porque alguém me ama, agradeço então com lagrimas e sorrisos a este amor que acabo de descobrir, e que poderia tão bem ter passado mais duzentas vidas sem que eu percebesse unicamente porque este é um grande amor, bem como a Terra parece chata porque nós não podemos ver a curvatura da Terra, então este amor deve ser tão grande que nós, presos a pequenos amores ainda não podemos vê-lo, mas agradeço agora a este amor que nos é dado, agradeço com o meu maior modo de amar, que é me amar e amar também tudo que está alem de mim e que ainda me é, assim não só retribuo um pouco do grande amor bem como passo a ter amor, e esse meu amor se mescla ao amor maior, então eu faço parte de tudo. Então se eu amar, logo não mais existirei, logo viverei.

Terça-feira, 27 de Janeiro de 2009

À vida...


Quem és tu? Ó garoto?
Tu que sangras de pulsos cortados?
Tu que choras em pranto ardente?
Que gritas de lábios cerrados,
E que é pisado, tão desumanamente.

É esta a melhor saída?
E nem saída parece ser...
É este o melhor grito?
Se depois nada poderá dizer?
É este o seu melhor ato?
Palmas, não irá ouvir...

E quem não se suicida um pouco por dia?
Na dor, no ódio, na ilusão e até no amor?
E quem nunca escondeu atrás de um sorriso lágrimas de sangue?
Quem nunca desejou sumir ou sumir com alguém?
Ou então quem nunca quis ser outro que não si?

Mas o que fazer se a dor é grande?
O que fazer se não há esperança à fronte?
O que fazer quando tudo não é o bastante?
Vá dormir meu filho.
Amanhã será um novo dia!
-Se hoje se perde, amanhã se ganha...