Sobre o blog (e mim)...

Um garoto. Uma vida. Uma certeza. Muitas duvidas. Um blog. É isso que de repente se conflue numa desarmonia harmoniosa e vira isso que vês... as palavras são ditas até que cheguemos a uma barreira, a barreira alem do qual não existem mais palavras, apenas nós, Deus e o que é sentido...

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quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Da Arte da Educação




Hoje de manhã cedo, ao chegar à loja onde trabalho, esperavam-me minha tia e uma xicára de chá de Sene, que eu tomei pois adoro chás, estava em um inicio de gripe e me tratava com chá de Hortelã, o que sempre surte ótimos efeitos, foi com certa surpresa que algum tempo depois descobri ser o Sene um poderoso laxante, e na mesma fonte onde descobri, descobri ser o Alecrim ótimo para cortar febres, ao perguntar à minha tia se ela sabia que o Sene tinha efeito laxante, ela me disse que não, negativa foi tambem a resposta à pergunta: Mas na embalagem não está escrito?
Esse incidente sem maiores conseqüencias lembrou-me uma frase de meu professor de Literatura, algo próximo a isso: "A escola perde um pouco o sentido quando se pensa que vocês (nós os alunos) são cobrados no vestibular sobre a fisiologia da minhoca, mas em uma adversidade (como uma queixa no procom, que era o assunto em discussão) vocês não sabem para onde ir.".
E realmente, paro para pensar sobre o que se tem feito do ser humano, temos sido animais adestrados, temos estado presos a matéria e a ilusão bem mais do que à verdade a priori nossa busca principal, temos nos dado por pouco e até mesmo as instituições de ensino parecem perder significação frente a um raciocínio um pouco mais realista.

Temos que responder em vestibulares sobre como as angiospermas se reproduzem, e inclusive aprendemos a parte mais maçante da biologia no Ensino Médio, mas não aprendemos sobre as plantas das famílias das passiflora ou das mentha, tampouco sobre outras hervas medicinais, não sabemos, ou sabemos muito pouco, como curar nossas doenças mais simples sem recorrer a medicamentos vendidos em farmácias. Será que é porque isso geraria uma grande queda de venda de farmácos? Ou será que é porque isso levaria um pouco de saúde de forma mais barata e natural para uma parcela maior da população?
Não temos aprendido trabalhos manuais, os artesanatos, nem tambem as artes, para ser sincero, no máximo ficamos com a breve explanação sobre alguns movimentos pictóricos e literários, mas não há um movimento grande para o engrandecimentos das pessoas por meio da Arte, da música mesmo nem se fala nas escolas, as pessoas não sabem muitas vezes o que é Canto Lírico, ou então quem foi Chopin ou Ravel.
Temos aprendido números imaginários e derivações na escola, mas simplesmente nada sobre Moral tem nos sido ensinado, nada se fala sobre líderes como Gandhi ou Madre Tereza, um que libertou um país com a não-violência e outra que dedicou sua vida para matar a fome de milhares, mas demora-se aulas e aulas falando-se sobre Hitler, que obviamente teve seu papel muito grande na História, mas que não acrescenta nada em mim sobre como ser Homem. Porque contam-se histórias de sangue e violência e tantas histórias sobre bondade e crescimento humano são tratadas como se nunca tivessem ocorrido?
Temos de saber todas as regras gramaticais, que podem mudar, mas a história, as obras, e as palavras dos escritores da antigüidade que muitas vezes falavam de valores imutáveis, que portanto ainda existem, jazem intocadas. Alguem sabe quem foi Epíteto ou Cícero?
Eu sinceramente não estou preocupado, Gandhi próprio disse: "Se olharmos para a História veremos que a verdade e o amor sempre prevaleceram.", e bem sei que não se constrói um telhado sem se construir estruturas para que o suportem, é essa a diferença da ilusão e da verdade, a ilusão sempre nos deixa desamparados e nos faz recomeçar, já a verdade, segundo Clarice Lispector: "É o resíduo último de todas as coisas."

E o Ensino não tem feito Homens...

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Poema II ou Às Parcas (05/12/08)


Ai Parcas! Ai Parcas!
Que de vossas mãos saem,
Fios e tecidos,
Brancos, pretos, alvos
De multicores tingidos.
Saem de vossas mãos
A desolação e o abrigo,
A felicidade e a dor,
A calmaria e o perigo.

Ai Parcas! Ai Parcas!
Que vós teceis risos e prantos,
Os encontros a cada esquina,
Os espantos e os encantos.
E em vossas mãos está,
Cada sina e cada engano.

Ai parcas! Ai parcas!
Por vós rolaram impérios.
Em vossas mãos se fez a vida,
E todos os seus mistérios.

Ai Parcas! Ai Parcas!
A Roda do Destino
Gira em vossa mão!
Quem está em cima desce,
E os de baixo subirão.

Ai Parcas! Ai Parcas!
De vós saem os perigos,
Refúgios e danações,
De vós os maiores amigos,
E as mais pérfidas traições.

-Vós que teceis os maiores amores.
-Vós que teceis os piores horrores.

E a Roda do Destino gira:
-E uma nova amizade se faz,
-E um corpo é numa pira,
-E o predador é voraz,
-E pela última vez se respira,
-E uma nova vida se faz!

E sois vós, três mulheres alvas:
-É Nona, que o fio da vida enrola
(e é dele que o tapete cresce)
-É Décima, que o grande tapete tece
(Ora acima, ora abaixo, ainda assim todos iguais)
-É a Morte, que faz com que o fio cesse
(e já bem aviso: O Destino sabe o que faz!)

Dias, noites, e estações,
Cantos, louvores e solidões:
-Algo pode fugir de vós?
-Nem o voar de um só albatroz!

Ai Parcas! Ai Parcas!
Perdoem este pobre poeta,
Que em sua poesia incerta,
Tanto tenta vos louvar!

Mas jamais esqueça a mensagem:
-Quando o dia completar sua passagem,
-Ou verdes a ti em uma má viagem,
-Ou se os piores problemas contigo jazem
Eu digo:
-Elas hão de saber o que fazem!