Sobre o blog (e mim)...

Um garoto. Uma vida. Uma certeza. Muitas duvidas. Um blog. É isso que de repente se conflue numa desarmonia harmoniosa e vira isso que vês... as palavras são ditas até que cheguemos a uma barreira, a barreira alem do qual não existem mais palavras, apenas nós, Deus e o que é sentido...

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sábado, 5 de julho de 2008

Aquilo




Havia no silêncio da noite, um silêncio de alma, e essa era o seu retiro espiritual, ele ouvia a música que mais chamava em seu interior o passado ainda presente em resquícios no presente para ajudá-lo, ajudá-lo em que? Não sei. Mas queria ajuda. Ele buscava dentro de si uma resposta, para tudo o que houvera desejado, tudo que houvera acontecido, que houvera podido acontecer, houvera sentido, desconhecido, mas, a resposta não vinha, ia, como os minutos da noite, agora ele era uma fonte de água, fria e úmida, sob a forte lua cheia. Era todo iluminado e todo escuro, tranqüilo, e delicado, ele era um momento de dúvida.
Havia o amigo, amigo? Não sei, havia. Amigo? Talvez mais. Amigo? Talvez menos. Amigo? Quem sabe o que era? Ele acreditava que ter amizade era muito como amar, e que se o amigo o ferisse, ele deveria suportar com o amor resignado e alvo. Mentira? Sim! Ele não parava para pensar naquilo que sentia, apenas fluía, sem saber pra onde ir, apenas indo, seu amor não era de tudo puro. Na verdade ele queria algo do amigo. Talvez algo carnal, talvez algo espiritual, queria a dureza dos músculos do amigo, ou talvez Aquilo que era essencial que fazia falta dentro de seu ser, mas que ele procurava com uma fome de alma, que tinha vontade de devorar qualquer um que passasse na sua frente, na ânsia de encontrar Àquilo... E na ânsia de encontrar Àquilo, que não sabemos muito bem o que seja, pois é muito delicado: essencialmente delicado (para me fazer das palavras como um belo jogo de rendas, essencialmente delicadas), não vou fugir do assunto, na ânsia de encontrar aquilo ele se afastava, e sentia-se cada vez mais sufocado, e cada vez sufocava mais, havia a esperança, e talvez a esperança existia e era um pouco d’Aquilo. Ele não sabia como procurar, por que na verdade não se tem como procurar, existe apenas a procura. Ele não sabia o como achar, o achar é sempre uma descoberta, e só vem quando se esquece realmente de sua existência, pois, quanto mais procurasse, mais iria apalpar e não sentir.