Sobre o blog (e mim)...

Um garoto. Uma vida. Uma certeza. Muitas duvidas. Um blog. É isso que de repente se conflue numa desarmonia harmoniosa e vira isso que vês... as palavras são ditas até que cheguemos a uma barreira, a barreira alem do qual não existem mais palavras, apenas nós, Deus e o que é sentido...

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segunda-feira, 30 de junho de 2008

U93


Um homem corre. Isto é tudo que pode acontecer. Isto é tudo que acontece. Um homem corre, a liberdade é seu chão. Uma dúvida. Vida? Agora desejo chorar até a última gota que puder, e me alegra a idéia de vomitar do meu mais intimo toda a dor do mundo, porque um filme me lembrou que a vida pode às vezes ser árdua, dura, e dolorosa, não com a idealizada e sublime dor que tenho sonhado, mas, com uma dor muito pior, aquela que é a dor da vida, o filme me lembrou também de como Deus é grande, me fez pensar no como tenho me enganado: Não entendo Deus em Sua grandeza.
Um homem corre, o ar desloca-se, há passagem, o homem não está sorrindo, o homem corre, pum, pum, pum, pisadas duras no assoalho, o homem corre, há pessoas correndo junto a ele, todos em um mesmo ritmo, todos com a mesma fome de mundo, tom, pam,tah, corre, corre, não irás chegar, corre, corre, não há o que alcançar... Todos correm, o movimento flui, há apenas uma fome, a grande fome da alma, que quer comer e devorar, ele corre, os músculos estão fortes, há uma intensidade de espírito, nunc’antes alcançada.

ETHAN!!! Eles gritam, ETHAN!!! Não é um grito de morte, é um grito de vida, não é um grito de vida, é de morte, a vida é a morte, ele corre, só o acompanho, minhas lagrimas não me permitem vê-los, choro sangue, o mundo é vermelho, há a reparação, reparação de que? Ele corre, ele corre. Sente no estomago a dor, a dor da vida, a dor da morte, pum, pum, pum, tudo ainda é o ritmo, as pisadas seguem... Ele está chegando perto do homem, uma cotovelada, ele pula, puxa-os os cabelos, ele morde o pescoço do homem, ainda há o movimento, seu corpo se esparrama sobre o corpo do outro, calor a calor, o sangue, ele sente-se lavado, ahh artéria... Sangue, sangue, corre, corre, ETHAN!!!, ETHAN!!!, todos fluem... Sangue! Vida! Morte! Corre, corre, a vida... A morte... Flui, segue... Corre, corre, balança, cai, levanta, flui, vai, corre, corre, a vida é a morte, corre, corre, a morte e a vida, corre, corre, anda, anda, pega, pega:
-O piloto!
-O piloto!
Morde, morde! Todos são um! Corre, corre, vira, vira, a vida, Deus, corre, corre, salvação, entrega, confia, corre, sangue, Ethan, corre, corre, SOCORRO!, aproxima-se, chega, chega, escuro, pasto, corre, corre, pum, pum, pum, escuro, estrondo, barulho, sangue, Ethan, dor, dor, dor, lágrima.
Luz, para, para...Shanti, Shanti, Shanti hi...

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Mastigação do "Perdoando Deus"


Havia um garoto o qual eu austeramente dei o nome de Eu. Esse garoto havia sido feliz, ou pelo menos pensara que fora, mas mostrei-o que ele estava enganado: Eu nunca mais fui/foi feliz.
E assim um dia ele despertou para a grande dureza da vida, de ter que ver a verdade, e então pôde ver que não amava quem pensava que amara, ele já havia gastado um bom tempo nessa ilusão. E então ele ainda pôde ficar triste, mas eu tive de o dizer, que enquanto ele amasse o outro apenas porque não tinha coragem, ele não teria amor e sim um refugio para sua covardia, e enquanto ele amasse o outro porque ele se via cheio de defeitos à consertar e não sabia como fazê-lo, ele não estaria amando, e enquanto ele amasse apenas porque achava que merecia ser amado ele então, ai sim, não amaria, queria apenas uma recompensa para não ter de aceitar a realidade de sua pobreza. Enquanto eu amar apenas porque simplesmente sei de uma verdade áspera e negra dentro de mim, que não quero aceitá-la, não estarei amando, apenas estarei mergulhando cada vez mais e mais em um profundo e complicado abismo. Enquanto eu quiser o amor porque ele é belo, eu não o quererei, mas quando eu aceitar o fato do amor ser espinhoso, e fazer sangrar, e quando mais ainda eu aceitar ter minhas mãos quebradas, ter meu sangue drenado de meu corpo, e ter meus olhos arrancados por amor, quando eu aceitar a pior morte, aquela que mui silenciosamente temo, apenas por amor, ai eu começarei a mar.
Quando eu deixar de tentar amar o que é fácil, e belo, quando eu parar de desejar o limpo e inteligente para ser objeto de amor, e passar a querer o que é difícil, e ingrato, o que é feio e parece ser cuspido da boca de Deus, aquilo que é imundo no copo e no espírito, quando eu amar o que se decompõe sem ter vivido, e aquilo que jamais me compreenderá, quando eu amar o que não gosta de mim, e que me desvaloriza de todo, ai sim estarei amando e poderei pensar que estou perto do meu porto de chegada.
Enquanto eu tentar entender, não só não entenderei como estarei cada vez indo mais longe da onde deverei chegar um dia. Enquanto eu disser: Amor, estarei me afastando.

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Café da tarde


Eles então arrumaram a mesa e sentaram-se, as cadeiras em ordem, o papo correndo, a mesa servida como um banquete, eles estavam sentados todos e conversavam, o Sol batia sobre os cabelos e mostrava o castanho da vida espalhando-se pelo ar em todas a as direções, e eles lá estavam, passou um carro, a toalha tremulou, passaram mais carros, uma frota, a toalha brincava como virgem, correndo para lá e cá, mostrando-se e ocultando-se.
Estavam todos a fartar-se, a comida era plena e abundante, estavam na praça movimentada da cidade, estavam lá a compartilhar o prazer de transformar-se com os outros, este prazer, o de comer, que há muito virou um crime, que é escondido o máximo o possível, pois é um crime admitir aos irmãos que necessitamos de alimento, que precisamos de algo que nos dê forças. Passou um mendigo, e havia uma cadeira vazia:
-Bem-vindo sejas!
O sinal abriu e mais carros passaram, a toalha balançou ainda mais, e mais. Havia a luz do Sol, e a tarde estava linda.

sábado, 21 de junho de 2008

Uma história com dois garotos


Hoje preciso contar uma história forte, intensa, como o amor dos apaixonados, encorpada como um bom vinho ou como a voz de Tarja Turunen, forte como a pisada dos soldados, e estrondosa como o bater dum bumbo. Essa história que te contarei é um pouco verdade e um pouco invenção, e aconteceu com pessoas que estudaram comigo no SENAI. Devo adverti-los que essa história não tem final feliz e talvez um dos rapazes tenha se matado há um tempo atrás, o outro finge que o primeiro nunca existiu (aqui nasce a parte que eu invento), tenho que dizer que invento, porque essa história pode nem ser verdade, muitas pessoas pensam, como eu, que ela aconteceu, mas, falta a delicada certeza, essa história é muito como dezenas de outras histórias que acontecem a nossa volta todos os dias, mas, não sei porque cargas d’água estou com ânsias de vomitá-la, será essa história uma parte de minha história também? Será qu’ela pode depender de mim para ter o fim que merece?
Não o sei. Só sei que fazíamos SENAI.
Havia dois garotos, muito bonitos, bem criados, inteligentes, super amigos, muito simpáticos, eu não era amigo, na acepção exata do termo, em relação a eles, mas, olhava-os de longe, eles eram este tipo de pessoa da qual apenas observamos de longe, já que não temos afinidade o bastante para sermos próximos, mas podemos nos amar o bastante para nos cumprimentarmo-nos ocasionalmente...
Então (isso eu vi com meus próprios olhos), eles desciam alguns dias, sozinhos por uma rua semi-deserta após o período de aulas, e dada a proximidade dos dois, liguei os fatos, eles tinha uma união tão bonita, não me lembro de ter visto, nos tempos idos do SENAI, um sem a companhia do outro. Outra coisa é que eles estudavam em outra escola juntos, e lá também eram assim unidos, eles se completavam.
Agora se vem a parte da história que é mais atual para que nós possamos tentar entender um pouco mais das coisas que acontecem a nossa volta, que podem acontecer conosco, bem como, o que podemos carregar por dentro sem saber que carregamos.
Há algum tempo atrás, muito mais recentemente, conversava com um amigo, do tempo do SENAI, falamos sobre os dois, e ele me disse que houvera encontrado com um deles havia algum tempo, e este o dissera de que após o SENAI desligara-se do outro e jamais voltara a conversar com ele.
Lembramo-nos de que após ele ter arrumado uma namorada, nos últimos momentos de SENAI, a amizade dos dois definhara, e eu que conheço a garota que é a namorada deste, e portanto tenho ainda um pouco de contacto com ele, devo dizer: o Sol escureceu, a vida está em latência.
Bem a verdade, sem mais delongas, é que o outro garoto nunca mais foi visto por ninguém, e eu temo por seu paradeiro, e o seu antigo amigo é, hoje, uma outra pessoa muito diferente daquele rapaz qu’eu conheci, e ainda mais, pergunto-me, o amor morre? As juras contadas no ouvido do amante após haver-se amado, podem nunca se fazer realidade? E, meu Deus, o que acontece com aquilo que sonhamos e de repente não vem? O que fazer quando temos nossas crenças esmagadas, e todos nossos sonhos são moídos ao pó, em fronte aos nossos olhos?

Agora devo deixar essa história sem pontuação, porque de certa forma ela ainda não teve um fim

A venda da casa

I
A campainha toca. O homem vai atendê-la, entram o garoto e o senhor, este ultimo diz:
-Péssima localização!
-É perto das universidades. - diz o homem.
-E do bosque... - completou o garoto.

O senhor dá uma volta, olhando minuciosamente a sala, e os cômodos, que timidamente se escondiam e diz:
-Esta casa não vale o tanto pedido!
-Eu sei!- redargüiu o homem - mas, como sou amigo do garoto há muito, dei-vos um grande desconto.

O senhor balbuciou algo e o garoto disse:
-É aqui qu'eu quero viver!
-Posso olhar o resto sozinho? - Disse ríspido o senhor para o homem.
-Claro! - Quarto, cozinha, quintal, varanda - Disse o homem apontando-os.

O senhor se foi, então o homem perguntou ao garoto:
-Ainda me amas?



III

em retorno à sala vindo do quarto, o senhor olhou o garoto e disse:
-É isso mesmo que você quer?
-Sem dúvidas meu pai!

E então o senhor olhou para o homem que estava atônito no canto da sala e disse:
-Negócio fechado! Muito embora eu não tenha gostado da localização, da casa, da vizinhança, e nem da decoração. Meu filho é a ultima chance! Eu posso te dar uma casa melhor!
-Não pai, não pode! Preciso desta! Somente aqui quando já estiver tudo refeito e feliz e calmo eu poderei me recostar em uma parede e pensar:"Estou salvo!".

O garoto virou então e abriu a janela, a luz da alta tarde entrou assim prateada, assim dourada, assim feliz, e iluminou toda a casa. Tornou uma lagrima do olho do homem, e a alma do garoto era musica de flauta doce, aguda, inocente, alegre, antiga e intensa.

II

Mas, meu Deus! Ele havia cometido o terrível engano de achar que lhe amava, não era apenas por lhe querer bem, lhe querer feliz, lhe querer são, que ele o amava, pois, ele o queria junto a si, e assim como uma criança ele o desejara, por apenas achar que o amava.
-Não te amo, nunca te amei, te quero bem, mas, isso não é amor.Talvez um dia tenha te amado, mas, de idealização a idealização eu matei esse amor. A verdade é que não sei o que sinto.
-O que é isso? - Diz o homem, apontando para a situação.
-É a minha redenção. Quando no alto Sol do meio do dia eu olhar por entre as flores, a muda mobília, e a fumaça de incenso, e tu não estiveres aqui, verei que partiste e então pensarei:"Bendito sejas tu, ó bem-te-vi a voar pelo céu, pois, tem a liberdade, que inimigo nenhum te pegue, que mal nenhum te aflija, que sejas então feliz...", s'eu nunca tiver te amado, o qu'eu espero que o tempo responda, essas paredes me dirão: "Cuidado! Deixaste resquícios de ilusão em tua história", e porem se eu tiver te amado, quando deitar na cama deste quarto que já foi seu, estarás a me abraçar, e quando as flores do jardim florescerem estará um pouco de ti lá, estarei contigo para sempre.- e o garoto aquietou-se.
-Obrigado, jamais esquecerei tudo isso. -ele olhou o garoto, em seus olhos havia emoção, ele despejava seus sentimentos naqueles olhos amendoados, seu olhar gritava, um grito que rasgaria suas entranhas se saísse pela voz.

E então o senhor saiu

O Buda de barro.




Agora vou escrever um conto, uma história, que só não digo ser verídica, pois, não conheço suas personagens, mas que poderia sê-lo tão bem quanto não é. Ela, a garota, templo da esperança, alegria do amor. Ele, o homem, o ídolo da virilidade, o Buda de barro, frio e intocável. Ela como fiel devota e seguidora prestava seus cultos, e dedicava-o toda a sua adoração. Ele imóvel. Mas, ela era de fé e perseverança, há mais de um ano pusera-se naquela silenciosa e amarga espera, até agora ineficaz.
Um dia porem, após tantas preces e rezas, o ídolo rachou-se ao meio, e logo se refez, mas antes ela teve tempo de tocá-lo, o seu intimo, aquilo que está abaixo da superfície, e que apenas com muita fé e devoção é possível alcançar. E após ter tocado o intimo do homem ela continuou gostando dele, logo, agora o amava, já que o amor só se torna alcançável quando se ultrapassa o corpo e tudo aquilo que está por fora, e então se começa a amar o intimo, alma-a-alma.
Era ela que agora era Deus, o portador da salvação, do contato das feras que se escondem por dentro com as venturas que estão por fora, no mundo. Ela portava o archote, a tremulante e viva flâmula do amor.
Tão logo quanto chegou ao templo aquela manhã, com a luz do amor, toda a frieza e aparente calma da pedra dos ídolos, quebrou-se. As imagens reduziram-se ao pó fronte ao seu amor. Então tudo se fez luz, da fé veio o amor, surgiu a vida. E agora ela lá estava, beijava-o, no intimo, e tudo voava, a poeira, a catedral que se fragmentava em libélulas de luz. Ali era o Templo, o Templo da salvação, a recompensa da espera, e a vida de sua forma mais pura.
E agora, como ela tinha o amor, tudo era puro, cada toque era uma redenção, cada olhar era um balsamo à alma e o tempo não mais existia, ela e o homem eram uno, e Deus neles habitava.