Sobre o blog (e mim)...

Um garoto. Uma vida. Uma certeza. Muitas duvidas. Um blog. É isso que de repente se conflue numa desarmonia harmoniosa e vira isso que vês... as palavras são ditas até que cheguemos a uma barreira, a barreira alem do qual não existem mais palavras, apenas nós, Deus e o que é sentido...

Alguns dados sobre mim...

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

O menino e a estrela.



Ele, um menino. Ele, um homem. Ele um sonhador, um algo que busca e que quer ser. O segundo, um ser realizado, algo completo e cheio de plenitude, será? Bem, ai surge um problema, eu sou o pequeno sonhador, então não sei o que o homem pensa, sou só aquilo que penso e sei, não consigo saber dos outros, como dizia minha avó: “Corações alheios são terras onde ninguém anda!”. O que serei? Onde estarei? O que farei? Esqueço-me que tu Ó homem, não me conhece, em sua tão grande grandeza de ser humano igual a mim sequer tem noticias de mim, se fosse como tu eu acho que não seria assim! Porque sonho? Porque quero? Porque desejo? Como posso ser maior? Se meus sentimentos são tão mesquinhos? É que tu me completa, desejo que me devore, para que eu não mais seja, ou que eu te devore, para que assim eu possa sê-lo! Pregar é mais difícil que fazer, desejar é muito mais fácil que ser.
A coisa é assim: o menino é um cheio de potencialidades, o homem é algo que aos olhos do menino é belo, grande, e completo, o menino deseja este homem (este em especifico, que desde alguns dias atrás tomou a mente do garoto), porque ele deseja? Por que ele quer uma fortaleza, onde se esconder e obter refúgio, conseguirá? Não sei. É certo? Ora! Mas então quem é que nunca foi medíocre, e desejou a comida do vizinho? O egoísmo é horrível, mas o pior, é que é comum.
Eu, o menino, a voz em silencio, a confissão sem arrependimento, a vontade de ser, a oportunidade de acontecer, o desejo. Ele o homem, a fama, a vida bela, a aparência na qual um artista se esconde, revele-se, juro que te entenderei e que também já pequei, juro que sou diferente e que não mostrarei o dedo pra você e numerarei suas falhas e defeitos, apenas deixe-me conhecer-te, saber que por trás das câmeras há também pessoas com um vazio por dentro, com uma incompletude como a que me toma, mostre-se e deixe-me amá-lo!

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Sobre futuro


Vou contar um segredo, aqui e agora, que ninguem sabe, e as vezes escondo até de mim mesmo...
É que no fundo, e bem escondido, eu sigo a vida procurando por alguem para me acordar, para me fazer algo além de triste, e para me mostrar a beleza amarela da vida.
Mas, espere...
Eu estou na verdade bem acordado! Eu não sou triste! E eu consigo ver, ainda que bem palidamente, a beleza amarela da vida!
Talves eu esteja só me enganando, mas, mesmo assim, sigo silenciosamente procurando...
... e quem pode diser que tambem não constrói sua vida sobre os terrenos mais pedregosos?

Breve invocação




...espero que voce já esteja em casa no natal, mas se não estiver, tenho calma, tenho uma vida toda e muitos natais para poder esperar...

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Pedido (contacto)

Olá muita luz queridos irmãos e irmãs leitores/as! Espero que os textos aqui presentes possam adicionar alguma coisa a voces, e peço um favor: comentem, pois, apenas com os comentarios é que eu poderei ver o meu desempenho, o que mais é interessante para os que leem, o que as pessoas menos veem... Obrigado! Fiquem com Deus!

"O que vejo nos romances de hoje? Oras! Não vejo mais romances... Os corpos estão sempre presentes, as afinidades as vezes, sentimentos raramente, e quase, quase, nunca as almas..."

Salvatore

Todos um dia precisarão de um salvador, que aliviará o peso do mundo para os que tem que seguir, que fará curativos nas chagas dos que sofrem, que ouvirá aqueles que querem falar, para ajudar aqueles que se perderam em uma parte do caminho, para juntar as ovelhas desgarradas ao rebanho, para dar vestigios aos que procuram, para andar lado-a-lado com os que querem caminhar, para saciar os que tem fome, para matar a sede dos inanes, ou simplesmente para dizer para aqueles que não acreditam ser amados e pensam em desistir que eles são importantes.
Alguns salvadores nem sabem que o são, e Deus não diminui a graça deles por ajudarem sem saber, alguns ficam ali por perto para silenciosamente ajudar quando mais for preciso, e Deus não diminuira a graça deles por fazerem em silencio, há alguns salvadores que salvam em precisar da redenção, e Deus tambem não diminui a graça destes apenas por ajudar precisando de ajuda. Mas há os que se intitulam salvadores e propagandeam seus pequenos atos, estes Deus tambem não diminuirá a graça pois eles não a têm, mas pelo contrário, Deus para estes pequenos iludidos manda verdadeiros salvadores.
Hoje eu fui salvo. Agora eu estou sendo salvo. Se me for permitido em breve salvarei. A glória do mundo é essa, hoje no erro, amanhã no acerto, todos ganhamos a misericordia e a redenção, seja o erro que for. Os que hoje são socorridos salvarão os suplicantes de amanhã.

Thanks Josh you saved my life, and not even imagine that I exist. I am not going to give it all up, because now I am quite clear that I am loved, everytime and for ever, now I know that soon my hands will be able to be offered, thanks for light and light to you, I guess you will never read it, but, may God bless you!

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Banho frio


Ele. Um menino. Uma coisa cheia de possibilidades. Ele estava lá, céu cinza, ninguem em volta, apenas a piscina vazia, de um azul, aguas paradas, e gélida aragem. Ele a mais incompreensivel das criaturas, lá, parado a apreciar o plumbeo céu refletido nas aguas, e a agua a mais incompreensivel das substancias, lá a observa-lo. Ambos se olhando, parado no infimo tempo, ele não se entregaria, ela não correria a ele tambem. Ele se abaixou, e tocou-a, ela respondeu mansamente criando ondas para todos os lados. Ele era incomprensivel pois um dia não se entendeu, logo era a mais incompreensivel das criaturas, ela a mais incompreensivel das substancias, assim o era pois não hávia nada que ela não tocasse, nem um lugar onde não estava.

Era frio. Estava frio. Ele foi mansamente se aproximando para tocar novamente a gélida face da agua, ela se manteve imovel esperando a caricia, ele tocou, levantou-se e pulou dentro da piscina.

Ela respondeu abraçando-o, tocando-o o por inteiro, desde a pele até os cantos mais intimos, donde só Deus tem conhecimento. Era frio, agora é congelante. Dói-lhe tudo. Sua face está cerrada, seus olhos fechados, ele treme, tenta se segurar, mas, está no meio de uma piscina, nada em volta, apenas agua, está com tanto frio que não se estica, não alcança o solo. Lá estão só ele e a agua, ele entregou-se não tem mais nada que possa fazer, está lá, a deriva, como uma criança de colo, entregue a gélida agua. Ele geme, sussurra, arfa, está lá, apenas ele e agua, não há resposta.

Ele alcança a margem, sobe com certo esforço, e deita-se na margem, apenas a mão toca suavemente a agua, essa que até agora pouco o embalava em sua doce canção, está deitado, "Se eu ao menos tivesse um amor!" pensa, logo, sente a aragem morna tocar-lhe os cabelos, o rosto, o pescoço, e as mais intimas duvidas e sensações. Relaxa, e o braço entra mais fundo na agua, e lá fica.

Ele. Um menino. Uma coisa cheia de possibilidades. Ele está lá, céu cinza, ninguem em volta, apenas a piscina vazia, de um azul, aguas paradas, a aragem morna a dissipar-se. Lá vê-se apenas o corpo, a agua e o céu, o resto agora é silencio.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Chymerah


Chymerah
E lá ela estava, lá, ele e ela. Ele pecou, ela pecou, pecadores, pessoas reduzidas a atos. Ele achou que poderia dominá-la, mas não, ela pecou ao sem querer enganá-lo. Ela demorara muito para poder ter um homem, para ter certas intimidades, para poder chamá-lo de amor... Mas agora tinha, e ele A tinha (perceba a letra maiúscula, que indica que ele tinha o que era ela, ela como era, inteira formada pelos seus defeitos e qualidades), ela era imponente, e ele se submetia.
I - Estavam conversando (na verdade ele estava nervoso, e daria outra chance a ela, pois, ela era muito importante para ele, ele só sabia admirar e perdoar, ainda que sem querer não percebesse, e sabia também fingir, fingir que não era assim que as coisas corriam).
II - Estavam acabando o namoro (na verdade ela estava nervosa, e não queria mais, aquilo era só a válvula de escape, ela era solitária, ela não nascera para ter companhia {mas se iludia}, não queria perdão pois não tinha errado, a não ser que errar é ser como é, ela era de uma selvageria indomável, ninguém poderia afagar suas crinas para sempre, pois, quando menos esperasse ela correria com o vento, ela se importava com ele {apenas o necessário}, pois, ela era humana, e não queria feri-lo, mas estar bem com ele isso a feria. Simplesmente o que era estável para os outros, era cárcere para ela).

A história começou assim, ela tinha 17 e ele 21, ela de cabelos castanhos, rosto pipocado de espinhas, inteligência, e vontade, ele um desconhecido que morava a duas quadras de distancia, ela sonhava com ele, e queria-o, não por vontade e não por ele, mas por ilusão, ilusão que nascia da crença naquilo que diziam para ela, que o humano só será bom se casar-se, e edificar família, ela tentava em uma desesperada, cega, dolorosa e cansativa batalha interior se apaixonar por meninos que a cercavam (normalmente os inalcançáveis para seu azar, azar pois, ela era determinada, e se estivesse numa caça só pararia se conseguisse uma presa, enquanto ninguém caísse em sua rede, caçaria, não para quando ter uma caça ter aquilo que tem nas mãos, mas para ter aquilo que se tem no ego, não o fato mas o ato), quando caia em seus sentimentos melancólicos, melodramáticos, e fantasiados, estava pronta para fazer uma cruzada, quase sempre para nem ganhar e nem perder, porque se ela conseguisse um garoto tendo que se declarar seria como perder, pois, ela era arredia, e a caça não procura o caçador.
Não vou contar a forma com que tudo se deu, mas contarei uma coisa: se deu! Estavam namorando. No começo ele cada vez mais ludibriado com a quase percepção do que era ela (ele ainda estava olhando a casca vermelha da maçã sem saber que ela é amarela por dentro), e ela regozijando-se naquele encantamento, perdida nos braços daquele que só existia em sua imaginação, sem perceber que o menino loiro era um sonso que morava na rua de baixo, que havia repetido na escola, ignorava arte, línguas e literatura, e não tinha a chave para o sucesso dela. Ele apaixonado pelo que imagina encima do pouco que via sobre ela, e ela apaixonada pelas suas quimeras, sem um traço sequer de realidade, nadando em piscinas de pura fantasia.
A verdade é que, ela queria mais, ela não é mulher de ser ativa, ainda que mantenha a cabeça imponente e queira mandar. Ela precisa de alguém que a faça calar, que quebre seus braços, e torne-a carne de sacrifício, que a deixe imóvel, entregue, a mercê de todos os desejos alheios, mas, ele era um rapaz ainda meio atordoado com o grande ganho, ela era bonita, não de uma beleza estonteante, mas de uma beleza fugidia (como tudo nela), ele ainda não entendera direito como era tê-la, ter tudo aquilo.
Ela um dia puxou assunto com ele, e então se entregou, tão sutilmente que ele achou que ele estivesse pescando, mas na verdade, o peixe (ela) só comera a isca porque sabia que poderia cair no cesto de pescados. Então, logo, ele não era homem para ela, e ela não era mulher pr’ele, e pronto! Deu tudo errado, e ele chorou quando viu o que perdera, e chorou mais ainda (décadas depois) quando viu que nunca teve, mas, ele era lindo e anos depois, se casou, teve filhos e viveu feliz para sempre, e ela chorou e acreditou que era uma aleijada e nunca teria alguém, mas, depois ficou bem e viu que nem todos são feitos para isso, então ficou bem e fez o melhor que pode na sua vida, da maneira que poderia fazer.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Comida para os mendigos.


Hoje fui, como vou rotineiramente há pouco tempo, ajudar a fazer comida para os moradores de rua. Sempre ajudo a cortar os legumes, varrer o chão, lavar a louça, mas hoje (Deus assim o queria por um plano maior) fui convidado a ajudar na hora de servir comida para os nossos irmãos menos afortunados. Homens escuros, não da cor da pele, mas da poeira que o mundo deposita sobre eles pouco a pouco, na vã tentativa de tranformá-los em estátuas. Homens que cheiram como o mundo, o pútrido cheiro da carne humana, o cheiro do nosso belo mundo, o cheiro daquilo que silenciosamente escondemos de nós mesmos na tentativa vã de fingir que vivemos em um mundo justo e igual.

Porque se há o direito ao grito então eu gritarei!

Meu Deus! Porque tão pouco, porque eles não têm nada, aos 40, sem casa, sem dinheiro, sem comida, sem história ( pois eles não têm quem lembrar deles quando morrerem). E eu? Porque tenho? Porque meu Pai? O que sou diferente deles? (veja bem que ironia, quando, ainda antes de terminar minha pergunta, falava, percebi então que a minha resposta era a simples capacidade de me perguntar).

Quando, em um dia a muito passado, deixei de me perguntar "O que sou?" e passei a perguntar "Porque sou?", nesse dia, minha alma se tornou incompleta, me vi engolido por uma voz que não é deste mundo, uma voz que é maior, que eu humildemente passei a chamar de Deus. Foi quando, eu vi que se há tempo há o que fazer, que não tenho mãos para ficarem paradas, vi que há um tempo que corre contra nós, não para nos engolir, mas para lembrar-nos que somos pequenas palavras na poesia do mundo, e que se nós nos negarmos a abraçar o que temos por perto nas entrelinhas, e dar um belo sentido ao nosso parágrafo, seremos apagados, apagados e trocados por outra palavra que na sua humildade muda de palavra fará muito mais que fizemos outrora.

Meu Deus, porque eles tem tão pouco? Porque o pouco que eles tem se completam com aquilo que eu tenho. Meu Deus porque tenho o bastante? Para que eu possa me erguer e me manter em pé para servi-los.

A cada prato que eu distribuia, e a cada mordida que eu via eles com fome dar, eu via que a fome corporal deles era saciada, e via tambem, que um pouco do meu vazio se completava, e de repente, eu tinha um sorriso e uma luz, uma luz que nascia dentro de mim.


Hoje fui, como vou rotineiramente há pouco tempo, ajudar a fazer comida para os moradores de rua. Hoje sem querer, me vi fronte a fronte com Deus (como a muito não via), e hoje sem intenção alguma, achei rastros que podem me levar a felicidade...

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Skellig - Música

Aqui vai o link da musica Skellig, que foi a inspiração para o ultimo texto... Deliciem-se:

http://br.youtube.com/watch?v=EWvG2fLSypY

sábado, 12 de janeiro de 2008

Skellig



Este texto foi criado em um momento de luz e inspiração proporcionado pela bela canção de composição e exucução da minha musa canadense Loreena McKennitt, a canção se chama Skellig, fica aqui um conselho a todos, escutem-na. Tchau, beijos, fiquem com Deus meus irmãos.

<- Ciprestes ->


Um senhor deitado na cama, seus olhos chamam para além da vida {de um brilho inefável, que apenas podemos ver, e jamais conseguiremos descrever algo igual}, sua testa escorre as ultimas gotas de suor, sua voz é doce e suave, seu corpo está relaxado e tranqüilo, suas mãos brincam pelos ares em movimentos graciosos, daqueles que só podemos fazer quando nos resta ainda poucos a serem feitos. {è a certeza do incerto, a fé no inacreditável (porem real) e no fantástico (porem real), é isso que o dá essa serenidade, é isso que apazigua, é isso que o mantém firme.} Ao seu lado vela um jovem, o rapaz de alva pele, e lindos olhos amendoados, que fitam com incerteza {a incerteza dos inexperientes e incrédulos}, seus dentes brancos, alinhados e bem cuidados, seus músculos fortes a estender-se por todo o braço agora só servem para sorver as lágrimas que pouco a tornam-se, seu pensamento retórico, afiado e correto, agora só pode sustentar a calma, e a compreensão, não aquela compreensão de quem realmente entende, mas a compreensão superior, aquela que nos dá a vida, aquela compreensão que nos dignifica perante a realidade, a nossa passiva realidade. O velho olha-o. Com calma, o ancião segura uma de suas mãos, e fala, baixo e com delicadeza:
-Acenda as velas João, o dia já está quase acabado.
O jovem o obedece, aos poucos aquela luz será a única existente materialmente entre eles.
-Os pássaros já pararam de cantar, e se reúnem em seus ninhos, para a longa noite que virá. Protegem-se dos perigos do porvir, e silenciam-se até o Sol surgir.
O jovem torna ainda algumas lágrimas, o senhor o olha com paz e mansidão no olhar, {o olhar do senhor pode cegar, é aquele olhar repleto de vastidão, chio do mar sem-fim.}
-João, ainda bem guardo quando aqui cheguei. Cheio de planos que no tempo deixei. No inicio tudo era novo, o mundo era um ovo. Mas aqui me mostraram tudo como é, e a única coisa que ainda guardo é a fé. No inicio os livros me eram tudo, eram minha ponte com Deus e o mundo, mas com o tempo, mudei. As palavras tornaram-se vivas, e tudo que era escrito, passou a ser vivido. Então o Deus que tão longe eu via, passei a conhecer, e em cada passo eu o seguia. Aqui te deixo minha alegria, por entre estes jardins de jasmins, eu cantei e sorri, eu chorei e sofri, por entre estes jardins eu vivi, e te deixo apenas, isso.
O senhor aponta os livros, que estão em uma prateleira, e diz:
-Aqui está o meu mundo de outrora, que você possa conhecer os segredos que espreitam para ser revelados.
O jovem chora, o senhor acalma-o e termina por dizer:
-Meu jovem não chore. A morte é minha amiga, já a vi por entre as florestas de ciprestes, e não a temo mais. Por entre esta floresta, morreu meu amor, partiram amigos, e surgiram muitos novos, nesta floresta morrem pássaros nas garras das feras, mas nesta floresta, nascem flores, e nascem pássaros a cada primavera. Esteja feliz porque vou voltar para onde vim, meu coração encontrará paz, por entre jardins, mais auspiciosos que estes, por entre florestas de maior verdura, em mãos de maior doçura, no colo de minha mãe hei d’achar ternura, como a muito não acho. Volte-se e feche a porta, no coreto vire a ampulheta que já parou, então quando os sinos tocarem e as areias cessarem sua queda, já estarei morto.
O jovem virou, e quando estava quase fechando a porta disse adeus desatando-se em lagrimas, mas, ainda pode ouvir:
-Acenda as velas João, o dia já está quase acabado. Os pássaros já pararam de cantar, e se reúnem em seus ninhos, para a longa noite que virá. Protegem-se dos perigos do porvir, e silenciam-se até o Sol surgir. Vá e proteja-se ainda tens uma vida para viver, aqui neste leito, te dou minha alegria para você viver, aqui neste leito bem quando meu velho coração já para de bater.
A porta se fecha, o jovem caminha até o coreto, e vira a ampulheta. As areias caem, o resto é silencio, fé e paz.







Jasmins.



Skellig, vim descobrir na pesquisa pela imagem, é um pequeno aquipelago na Irlanda, dividido em duas ilhas Great Skellig, ou Michael Skellig (Grande Skellig), e tambem a Small Skellig (Pequena Skellig).Este aquipelago foi habitado por monges cristãos que cravaram nas pedras da Great Skellig um monastério, hoje tombado pela Unesco como patrimonio historico da humanidade (a foto é da Great Skellig e do monastério). Obvio que estes dados nos permitem outra interpretação da canção...






Aquilo que pode ser....

Há várias histórias as quais vivemos, que escrevemos, e que sonhamos... As mais tristes? São aquelas que não se tornam verdade, é o viver não vivido, pondo-se a esperar... Aonde espera? Não sei. Confio em Deus. Mas e se o sonho nunca se tornar verdade? {Perceba que nunca é uma palavra pesada, pois é algo se arrasta para sempre, pra mais longe do que o local onde os cavalos brancos da fantasia arrastam os sonhos que duma hora à outra resolvem não mais ser verdade}. Confio em Deus, mas e o sonho? E aquilo que pode ser e não é? Seja por falta de dinheiro, por não termos nascido nos lugares certos, ou apenas não é pois a trama do destino teceu um tapete diferente do que queríamos? O que fazer com isso? Engolir nossos sonhos, nossos desejos, em forma de comprimidos com a amarga água da angústia? Esquecer ou então não mais viver?
Qual será nosso próximo passo? O bambu do tempo se curvará para com os nossos pés pisarmos em cima dele? Deus não permita aos meus sonhos a morte, não me permita à insatisfação de não ter o que não existe! Não desejo viver apenas aquilo que me é dado pela vida, mas desejo além, desejo viver aquilo que existe dentro e além de tudo que existe. Desejo o adolescente que vive em outra casa, a criança que brinca noutras terras, a jovem que aguarda por outros príncipes e o ancião sábio que fala aos ventos doutra seara. Desejo o sol que brilha não como cá, desejo a luz que ilumina sem cessar, desejo o brincar que alegra sem cansar, e desejo além de tudo aquilo que não posso sequer desejar...
{Desejo que minha prosa se torne verso, que o verso se torne carne, e que a carne corra por ai quando não mais houver tempo. Que a carne se torne felicidade e que a felicidade jamais morra. Desejo que o verso seja belo, que a poesia seja divina e amarela {pois o amarelo é a cor da felicidade}. O que pode existir para me completar? Que meu alicerce não seja a pergunta mas a certeza. Que eu tenha fé para esperar. E confiem, pois já eu vos revelo, o que pode vir virá, e não há de tardar! E o que desejas ter ainda terá, mesmo que não seja sabido se com mesmas faces, perfumes e cores, mas é sabido que virá.
O segredo não é pergunta que se faz, mas sim, a esperança que se traz. A única coisa que temos é a fé, pobre do homem que a perde, pois, ele é então, tempo passado, vaso quebrado, e sonho perdido.}


segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

A mulher que dava

Ela já era uma senhora, mas ela era diferente, ela gostava de dar. Ela dava, e dava muito, mas sabia os segredos, pois, havia dado a vida inteira. Dar não é simples. Dar é muito complexo, acredites, que até hoje eu nunca dei direito. Mas, ela dava. Ela sabia os mistérios da vida, quando ela dava, ela dava com amor, e sabia que deveria dar não aquilo que o outro precisasse muito, mas aquilo que ela precisasse muito.
Porque o que ela dava não era amor, o que ela dava não era o abençoado pão, o que ela dava não era dinheiro. Ela dava si e dor. Cada vez que ela estendia as mãos era atingida por uma espadada que entrava pela palma e saia pelas costas mão, mas ela não urrava, era esse o segredo. Dar é não urrar. Dar é silenciar-se, e matar-se um pouco cada dia. Conquanto às vezes fugia-lhe o controle e escapava umas lagrimas dos olhos, lágrimas estas das quais se envergonhava e entrava em penitencia. O porquê ela dava? Não sei. Talvez porque ela sabia que seria melhor assim. Viver é isso, é comer o pão que o diabo amassou, e entrar na fila da repetição, sem reclamar e por vontade própria.
Mas havia algo lindo naquela mulher, cada gota de seu sangue que caia no chão, fazia brotar uma flor, ela pegava as flores e colocava ora em seu chapéu, ora dava a um necessitado que passasse, quando ia para o chapéu, seu olho se enchia de luz, quando ia para as mãos dos necessitados, curava-lhe as feridas, e tornava-a mais forte.
O amor é assim, nos dá a alegria e a dor, para que bebendo da primeira suportemos a segunda, e após beber a segunda ganhemos mais da primeira.
A mulher dava, e dando aquela mulher era Deus.