Sobre o blog (e mim)...

Um garoto. Uma vida. Uma certeza. Muitas duvidas. Um blog. É isso que de repente se conflue numa desarmonia harmoniosa e vira isso que vês... as palavras são ditas até que cheguemos a uma barreira, a barreira alem do qual não existem mais palavras, apenas nós, Deus e o que é sentido...

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domingo, 5 de outubro de 2008

Canto a Vida


Escrevi um poema,
Não era nem triste, nem belo,
Nem era alegre, era sincero.
Pus no papel a caneta,
Mas antes na caneta foi posta tinta,
E na tinta pus meu coração,
No coração pus sentimentos,
E nos sentimentos pus a mim,
Que sou o inicio e o fim.
A presença e ausência de conhecimentos.
Que só me salvo com orações e renúncia.
No poema falava de mim,
Dessa coisa indizível,
Logo eu que não me conheço,
Logo eu, a mim imiscível.
Mas era sincero,
Minha tinta era de lágrimas sinceras,
E minha caneta era minhas mãos,
Minha vida, esta quimera,
Minha certeza, uma ilusão,
Balancei minhas mãos ao vento,
E minha dor fez-se palavra,
E voou meu sentimento,
E voou a esperança, escrava.
O vento logo parou,
E as palavras ao chão voltaram,
Meu discurso se agrupou,
Minha poesia ali, imaculada.
Mas o vento tanto voou,
Que foi para tão longe de mim,
Que não sei mais onde estou,
Nem sei mais o que vivi,
Minhas palavras foram colhidas,
Como pêssego nos pessegueiros,
E foram a tantos, distribuídas,
Que se encontram no mundo inteiro.
E minha vida está nas arvores,
E está no formigueiro
Minha vida está nas harpas,
E canta de janeiro a janeiro,
E está nas flores perfumadas,
E nas de cores várias,
E está nas plantas mais horrendas,
E está no orvalho,
E está na riqueza grande,
E está na humildade completa,
E está no céu de azul infindo,
E está na terra molhada,
E está na água que cai,
E está na criança que corre,
E está nas teorias complexas,
E está nas coisas mais simples.
A vida, essa tão grande coisa,
A vida que não sei dizer o que é,
Mas que guardo dolorosamente pra mim,
Pois ainda não achei alguém para compartilhar.
A vida que não sei ter,
E nem bem como tocar.
A vida que de nada carece,
E por isso não posso ainda tocar.

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