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Um garoto. Uma vida. Uma certeza. Muitas duvidas. Um blog. É isso que de repente se conflue numa desarmonia harmoniosa e vira isso que vês... as palavras são ditas até que cheguemos a uma barreira, a barreira alem do qual não existem mais palavras, apenas nós, Deus e o que é sentido...

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sábado, 21 de junho de 2008

O Buda de barro.




Agora vou escrever um conto, uma história, que só não digo ser verídica, pois, não conheço suas personagens, mas que poderia sê-lo tão bem quanto não é. Ela, a garota, templo da esperança, alegria do amor. Ele, o homem, o ídolo da virilidade, o Buda de barro, frio e intocável. Ela como fiel devota e seguidora prestava seus cultos, e dedicava-o toda a sua adoração. Ele imóvel. Mas, ela era de fé e perseverança, há mais de um ano pusera-se naquela silenciosa e amarga espera, até agora ineficaz.
Um dia porem, após tantas preces e rezas, o ídolo rachou-se ao meio, e logo se refez, mas antes ela teve tempo de tocá-lo, o seu intimo, aquilo que está abaixo da superfície, e que apenas com muita fé e devoção é possível alcançar. E após ter tocado o intimo do homem ela continuou gostando dele, logo, agora o amava, já que o amor só se torna alcançável quando se ultrapassa o corpo e tudo aquilo que está por fora, e então se começa a amar o intimo, alma-a-alma.
Era ela que agora era Deus, o portador da salvação, do contato das feras que se escondem por dentro com as venturas que estão por fora, no mundo. Ela portava o archote, a tremulante e viva flâmula do amor.
Tão logo quanto chegou ao templo aquela manhã, com a luz do amor, toda a frieza e aparente calma da pedra dos ídolos, quebrou-se. As imagens reduziram-se ao pó fronte ao seu amor. Então tudo se fez luz, da fé veio o amor, surgiu a vida. E agora ela lá estava, beijava-o, no intimo, e tudo voava, a poeira, a catedral que se fragmentava em libélulas de luz. Ali era o Templo, o Templo da salvação, a recompensa da espera, e a vida de sua forma mais pura.
E agora, como ela tinha o amor, tudo era puro, cada toque era uma redenção, cada olhar era um balsamo à alma e o tempo não mais existia, ela e o homem eram uno, e Deus neles habitava.

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