Então era sábado de Aleluia, havia partido a sexta feira santa, mas não levara consigo toda sua tristeza... Havia ainda espalhado pelo ar, nas ruas mais desertas, nos jardins das casas modestas, e até nos quintais, os belos quintais que se escondem atrás de altos muros, havia em tudo isso pulverizada a dor de Cristo, essa dor que murchava um pouco as flores, que secava a luz do Sol, que a enchia com um pouco de reflexão, essa dor estava lá ainda pulverizada em seu coração.
Era sábado de Aleluia, em breve chegaria a Páscoa, e com ela renovavam-se todas as esperanças, chegaria a Páscoa e a vida se encheria de luz, ela se tornaria tão forte que ressuscitaria mesmo sem ter morrido. O domingo de Páscoa seria o dia de luz, o dia da vitória sobre as trevas, e então ela se animava, Cristo havia renascido, e ela então renascia junto, esquecendo de toda dor, e abandonando toda miséria que a cercava.
Sábado de Aleluia, era o dia da vida, todos os dias dela eram sábados de aleluia, de repente ela se via lá, após as quedas do passado, e na esperança de um amanhã melhor... Toda sua vida fora um sábado de Aleluia, fora uma espera, mas, agora e mais do que nunca, ela estava certa, a Páscoa chegaria e finalmente ela veria a redenção. Oh Senhor redima-me! Pensava ela, e enquanto ela pensava, a dores da sexta se transformavam dentro dela, as gotas de sangue caídas da cruz, eram agora água sendo regada sobre um jardim de girassóis, e só cabia a ela deixá-los ou não crescer. E essa resposta também só chegaria com a Páscoa...

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