A história que conto começa assim... Um menino cai no chão, já todo ferido, toma um tiro no abdome, o atirador sai correndo, ele começa a vomitar sangue, eu assisto tudo assustado da calçada e sem ser notado.
O que fazer? Após me recompor um pouco penso. Corro até sua direção, deito-o em meu colo, estamos na calçada. Ele está urrando de dor, e eu de desespero. Você se preocupa contigo mesmo, eu me preocupo comigo e contigo, se a posição de vitima é ingrata, a de auxiliador é indigna. Olho em volta, a rua é vazia, o vento sopra em suave brisa, estamos a sós, eu, você e a dor.
Nossas mãos se tocam, sinto seu corpo quente, seus olhos refletem a lua, e os meus lacrimejam ao ver-te, e de repente, não tenho mais em minhas mãos um estranho, tenho um filho, pressiono sua cabeça contra meu peito, seu corpo está quente, o meu coração volta a bater, algo que não o sentia fazer há muito, que cantiga eu te cantei? Não a lembro! Sim minha cantiga, a cantiga que te embalou naquele momento, e que tentava te apaziguar, foi um grito, o mais forte grito que já dei, o grito que uma mãe dá ao ver seu filho morrendo, com essa música, feia mas sincera, eu te amei, eu te embalei.
Meu filho, não morra! Quero te conhecer! Quero saber por que és tão quente! Sua pele já ficava tão pálida quanto a Lua, seus olhos brilhavam mais e mais, eu temia perder algo que nunca tive, eu temia te perder, porque a nossa dor era única, sua dor era física, a certeza da morte, a minha era espiritual, a certeza da morte. Se você morresse, eu então deveria crer que a morte existia, e que não era algo distante, que só chega na casa do vizinho.
Então segurei suas mãos juntas a minha, e me encostei a ti, para sentir seu coração, o seu coração se debatia agarrando-se na mais ínfima esperança de vida, meu interior era oco, oco e silencioso, o que há dentro de mim? Não tenho nada a bater dentro de mim.
Eu estou desesperado, um garoto morre na minha frente, em meus braços, e nada poço fazer, um garoto está morto dentro de mim, e nada faço. Como posso te salvar? Como posso viver? Meus lábios tocam os teus...
E no meio de tanta confusão, seu sangue jorrava caindo às gotas em minha boca, e dela saindo em compassadas ânsias. Não temia a tu porque não sei quem és, mas sei que não és pior do que eu posso ser, pois, bem ao certo, não sei o que eu posso ser, já que nem sei bem o que sou. No meio de tão negra noite, eu temia a mim, que sou sempre um mistério a me desvendar, uma curva que nunca acaba. Não temo mais os estranhos, pois, aos poucos virei também um deles.
Meu rosto está a um palmo de distancia do seu, minha boca foi lavada no sangue do cordeiro, cordeiro de Deus que tirais os pecados do mundo, leve embora meu vazio, lava-me de minha angustia. Qualquer respiração sua eu perceberia, mas, não respiras, perdido é já, lavo seu rosto em minhas lagrimas, seu calor se exuda aos poucos. Levanto, e enquanto jazes no chão, vou embora, seja eu o que for, seja tu o que eras... Pois o instante já havia passado, e a vida não acabara nele.
terça-feira, 25 de dezembro de 2007
sexta-feira, 21 de dezembro de 2007
Formatura

Então mais um dia morre... Com ele, como sempre, vão alegrias e tristezas, mas hoje foi especial, com esse dia, que nem sei se mais posso chamar de hoje, morreu algo que começou e vem se alastrando por dois anos. Mais que um curso, mais que aulas, mais que uma escola. Foram momentos, momentos que em nossa jornada tivemos que andar com outros. Coisas boas e coisas ruins, as pontes permitem que qualquer tipo de água corra embaixo delas. O que eu tenho a dizer para vocês? Aquilo que silenciosamente a maioria de nós disse um ao outro em nossa formatura.
Porque inimigos se abraçaram? Porque estranhos se abraçaram? Porque não eram nem inimigos nem estranhos, éramos amantes. Porque o abraço quando em uma situação dessas, esconde, ele esconde o que tememos mostrar, sentimentos.
Então essa é minha mensagem, eu amo todos vocês. Desesperado e inocente como uma criança, entrego agora, ainda que tardiamente esse amor, porque quando nós nos abraçamos, não éramos mais colegas, éramos almas, que vendo o tempo perdido, com intrigas e mascaras, desejávamos nos devorar, os braços que se abriam não eram braços, eram bocas, os peitos a se esfregar, eram línguas ao engolir a comida, e o sentimento, esse, eram os dentes, que nos mastigavam e nos tornavam uma única coisa.
Agora tenho medo, porque não sei bem ao certo o que fazer numa despedida. Devo dizer Adeus ao que se passou, ou sorrir e dar um Oi ao que vem?
Tenho medo porque eu sei que não posso dizer que se estivesse começando tudo hoje eu faria diferente, tenho medo porque sei que seria tudo igual, em modo e intensidade. Tenho medo porque uma despedida nos uniu, e agora unidos, nós sentiremos falta uns dos outros.
Há coisas Efêmeras (que passam), e Eternas (que não passam). O nosso curso, a nossa convivência, e até nós, somos Efêmeros, mas, bem sei, que se aprendemos alguma coisa uns com os outros, isso será Eterno.
O que é fato já se passou, mas o ato permanecerá.
Obrigado, e desculpe, obrigado por ter estado comigo, andado comigo, errado comigo, acertado comigo, obrigado por me ter sido permitido andar por onde andei e fazer o que fiz, me desculpe se às vezes andei na contramão, ou por vias erradas, me desculpe se às vezes me afastei, ou feri vocês.
Obrigado, pois agora estou vivo. E me desculpe se eu não te dei a vida, foi sem querer.
Porque inimigos se abraçaram? Porque estranhos se abraçaram? Porque não eram nem inimigos nem estranhos, éramos amantes. Porque o abraço quando em uma situação dessas, esconde, ele esconde o que tememos mostrar, sentimentos.
Então essa é minha mensagem, eu amo todos vocês. Desesperado e inocente como uma criança, entrego agora, ainda que tardiamente esse amor, porque quando nós nos abraçamos, não éramos mais colegas, éramos almas, que vendo o tempo perdido, com intrigas e mascaras, desejávamos nos devorar, os braços que se abriam não eram braços, eram bocas, os peitos a se esfregar, eram línguas ao engolir a comida, e o sentimento, esse, eram os dentes, que nos mastigavam e nos tornavam uma única coisa.
Agora tenho medo, porque não sei bem ao certo o que fazer numa despedida. Devo dizer Adeus ao que se passou, ou sorrir e dar um Oi ao que vem?
Tenho medo porque eu sei que não posso dizer que se estivesse começando tudo hoje eu faria diferente, tenho medo porque sei que seria tudo igual, em modo e intensidade. Tenho medo porque uma despedida nos uniu, e agora unidos, nós sentiremos falta uns dos outros.
Há coisas Efêmeras (que passam), e Eternas (que não passam). O nosso curso, a nossa convivência, e até nós, somos Efêmeros, mas, bem sei, que se aprendemos alguma coisa uns com os outros, isso será Eterno.
O que é fato já se passou, mas o ato permanecerá.
Obrigado, e desculpe, obrigado por ter estado comigo, andado comigo, errado comigo, acertado comigo, obrigado por me ter sido permitido andar por onde andei e fazer o que fiz, me desculpe se às vezes andei na contramão, ou por vias erradas, me desculpe se às vezes me afastei, ou feri vocês.
Obrigado, pois agora estou vivo. E me desculpe se eu não te dei a vida, foi sem querer.

P.s.: Só pra não se esquecer: "O Amor é um preá!"
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Formatura - Senai
segunda-feira, 10 de dezembro de 2007
Ultimo dia de serviço.

Hoje foi meu ultimo dia de serviço, ultimo dia na empresa, não me despedi de ninguém, primeiro porque as despedidas são chatas, e depois porque eu nunca sei bem ao certo o que fazer, é que uma despedida é pra mim uma saudação, eu fico em duvida, se me despeço do que passou ou saúdo o que chega, pois, quase tudo que é efêmero é também substituível, e aquilo que não é substituível, devemos enfrentar sua perda com resignação, pois é isso que temos no momento. Na verdade não me despedi também por medo, medo da saudade, medo de que percebesse que o tempo passa, medo de quando perder começar a me importar, e esquecer que tudo flui, que as glórias deste mundo são passageiras.
Pra mim Deus é um pato, por isso a vida é esse vai-e-vem, esse acaba-e-começa sem fim, esse vôo de lagoa em lago, ainda bem, pois se acostumar e se adaptar é chato, precisamos dessa mudança para sermos felizes, uma hora em um riacho no interior de São Paulo, outrora num belo lago marroquino, outrossim ainda, num gélido lago na Finlândia. Não tenho a vida difícil, não tenho dor e nunca tive perdas ou acidentes, isso é ruim pois nunca aprendi com a dor, mas é bom também pois aprendi sobre a futilidade da estagnação, da normalidade, assim, vou de pouquinho em pouquinho esquecendo tudo isso que está em minha volta, e me preparando, abrindo o coração de pouquinho a pouquinho, para a verdade, a verdade que só temos três coisas, Deus, a vida, e a fé. Tenho que aprender e logo a relação entre o Eterno e o Efêmero, para que no dia em que os dois resolverem se separar eu esteja preparado.
Pra mim Deus é um pato, por isso a vida é esse vai-e-vem, esse acaba-e-começa sem fim, esse vôo de lagoa em lago, ainda bem, pois se acostumar e se adaptar é chato, precisamos dessa mudança para sermos felizes, uma hora em um riacho no interior de São Paulo, outrora num belo lago marroquino, outrossim ainda, num gélido lago na Finlândia. Não tenho a vida difícil, não tenho dor e nunca tive perdas ou acidentes, isso é ruim pois nunca aprendi com a dor, mas é bom também pois aprendi sobre a futilidade da estagnação, da normalidade, assim, vou de pouquinho em pouquinho esquecendo tudo isso que está em minha volta, e me preparando, abrindo o coração de pouquinho a pouquinho, para a verdade, a verdade que só temos três coisas, Deus, a vida, e a fé. Tenho que aprender e logo a relação entre o Eterno e o Efêmero, para que no dia em que os dois resolverem se separar eu esteja preparado.
Agora uma musiquinha:
It's Beautiful Day - Sarah Brightman
Un bel giorno ...
Un bel giorno per morire
Un bel di, vedremo
Le varsi un fil di fumo
Sull'e stremo con fin del mare
E poi la nave appare
With every new day
Your promises fade away
It's a fine day to see
Though the last day for me
It's a beautiful day
Un bel di, vedremo
Le varsi un fil di fumo
Sull'e stremo con fin del mare
E poi la nave appare
With every new day
Your promises fade away
It's a fine day to see
Though the last day for me
It's a beautiful day
It's the last day for me
It's a beautiful day
It's the last day for me
It's a beautiful day
Un bel giorno per morire
Un bel di, vedremo
Le varsi un fil di fumo
Sull'e stremo con fin del mare
E poi la nave appare
With every new day
Your promises fade away
It's a fine day to see
Though the last day for me
It's a beautiful day
Un bel di, vedremo
Le varsi un fil di fumo
Sull'e stremo con fin del mare
E poi la nave appare
With every new day
Your promises fade away
It's a fine day to see
Though the last day for me
It's a beautiful day
It's the last day for me
It's a beautiful day
It's the last day for me
It's a beautiful day
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Ultimo dia de serviço.
domingo, 9 de dezembro de 2007
Hoje houve um almoço aqui em casa. Como é bom estar com os amigos... Eles nos dizem coisas que vão muito alem de suas palavras, e nos ajudam a viver. Sim eles nos ajudam a viver, porque quem não tem amigos não vive, não que a vida esteja nos outros, mas, é que viver está alem de existir, viver é se perder nas entrelinhas da poesia de Deus, poesia esta que é escrita frente a nossos olhos e não vemos... E de repente, agora, me acho vivo..
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